Partidos fazem campanha antecipada para Lula

[{'id_foto': 1135792, 'arquivo_grande': '', 'credito': '', 'link': '', 'legenda': '', 'arquivo': 'ns62/app/noticia_127983242361/2017/07/17/884331/20170717073943643778o.jpg', 'alinhamento': 'right', 'descricao': ''}] A condena��o do ex-presidente Luiz In�cio Lula da Silva na �ltima quarta-feira antecipou as an�lises de cen�rios dos partidos para as elei��es de 2018.

Esquerda e direita, embora em plena articula��o de bastidores, se esquivam de apontar sa�das seguras para o pr�ximo pleito de 2018.

As controv�rsias que envolvem os atuais l�deres da pesquisa – o pr�prio Lula e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) – podem abrir caminho para nomes novos, que ainda poder�o surgir na complicada disputa � Presid�ncia.

A possibilidade de Lula n�o participar da corrida d� f�lego aos outros partidos, que come�am a costurar nomes que possam ter for�a para, mas gera d�vidas no PT. O desafio do partido, se o principal representante, de fato, se tornar ineleg�vel, � encontrar um nome para entrar na disputa. O discurso da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), � que n�o h� plano B, mas isso deve ser desconstru�do ao longo dos pr�ximos meses, acredita o coordenador de an�lise pol�tica da consultoria Prospectiva, Thiago Vidal. Caso o PT pretenda se manter entre as op��es, ele precisa de tempo h�bil para construir um candidato alternativo a tempo de conquistar apoios. “Se Lula sair da disputa, o PT ter� que fazer o que j� devia ter come�ado h� algum tempo: pensar em uma alternativa. Mas dificilmente far� isso de forma p�blica”, pondera Vidal.

Nesse cen�rio, entra o nome de Fernando Haddad, ex-prefeito de S�o Paulo, muito cotado por analistas e parlamentares, mas ainda uma d�vida no partido. Na capital paulista, Haddad foi eleito em 2012, mas ficou de fora do segundo turno em 2016.

Petistas citam ainda o ex-ministro da Justi�a e advogado da ex-presidente Dilma Rousseff, Jos� Eduardo Cardozo, e Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul. Outro nome que tem sido citado nos bastidores para representar a esquerda, embora de forma mais t�mida, � Jaques Wagner, que foi governador da Bahia e ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

“O PT n�o tem um candidato a n�vel nacional que seja trabalh�vel. Dificilmente Lula conseguir� passar para esses candidatos os votos que seriam para ele. Seria uma participa��o simb�lica”, pontuou Vidal. “No fundo, a campanha vai ser em torno Lula sendo transferidor de votos. O PT indicar� um candidato com boa condi��o de desempenho, mas que talvez n�o chegue nem ao segundo turno. Ele conseguiu eleger Dilma no auge do sucesso, mas, da segunda vez, j� foi dif�cil”, avaliou o advogado Murillo de Arag�o, cientista pol�tico da Arko Advice Pesquisas.

A outra op��o do PT, caso Lula n�o possa se candidatar e o partido n�o queira um novo nome, � apoiar outro candidato da esquerda, como Ciro Gomes, op��o mais forte do PDT, e montar uma coaliz�o de centro-esquerda. Mas o mais prov�vel � que o PT busque um nome pr�prio, acredita Arag�o. “� um partido muito hegem�nico. Dificilmente aceitaria apoiar um candidato de fora, salvo uma crise”, comentou o especialista. Na avalia��o de Vidal, se Lula n�o perder os direitos pol�ticos, dificilmente Ciro ser� candidato, porque isso dividiria os votos da esquerda. “Provavelmente, ele seria candidato a vice ou algo assim. � dif�cil disputarem a mesma base de votos, porque seria ruim para os dois.”

Renova��o Vidal lembra que a elei��o do ano que vem ser� de “renova��o”. “Qualquer figura pol�tica associada ao atual governo dificilmente ter� chances de se reeleger, seja deputado, governador ou presidente. Isso abre espa�o para os partidos que n�o est�o colados a este governo, sobretudo os mais novos”, disse Vidal.

O deputado Major Ol�mpio (SD-SP) tamb�m se diz descrente de vencedores que sejam conhecidos, na atual conjuntura. “Acho muito precoce qualquer discuss�o sobre 2018. Talvez quem v� disputar, ganhe a elei��o por W.O. Acho que os brancos e nulos � que ter�o maioria”, disse. O deputado apostou em novos nomes, como Joaquim Barbosa, S�rgio Moro e, quem sabe, o apresentador Luciano Hulk. “Seja quem for, ter� uma chance enorme. O pior cen�rio s�o os atuais. Seria o ruim contra o pior”, declarou o deputado.

Nesse n�cleo de “renova��o”, tamb�m entram candidatos de centro-direita, como Jo�o Doria, atual prefeito de S�o Paulo e um dos nomes mais cotados para disputar a presid�ncia pelo PSDB em 2018. O tucano, no entanto, � uma op��o muito mais vi�vel caso Lula n�o seja impedido de ser candidato, avalia Vidal. Ele � visto como uma figura “anti-Lula”, mas n�o como um candidato individualmente forte, a n�o ser que tenha amplo apoio do PMDB e do DEM. “Ele teria chances, porque assim teria uma for�a partid�ria boa. Essa � a equa��o: candidato forte com estrutura forte”, disse Arag�o.

A outra op��o do PSDB seria o governador de S�o Paulo, Geraldo Alckmin, que, no entanto, pouco tem a ver com renova��o. Ele disputou as elei��es presidenciais de 2006 e perdeu, mas continua com nome forte dentro do partido, especialmente entre os integrantes mais antigos. “Hoje, ele � a op��o mais vi�vel do partido. Se o PT come�ar a discutir publicamente uma alternativa a Lula, o Doria n�o seria o candidato ideal. J� o Alckmin tem agido, est� se movimentando para barrar a oposi��o interna”, argumentou Vidal. O deputado Major Ol�mpio destacou que as apostas do PSDB ou est�o envolvidas em esc�ndalos, ou sendo processadas. Doria est� limpo, mas vai ter que lutar contra o pr�prio criador (Alckmin). “Para Lula, � quest�o de andamento do processo. Tem que ser preso. Bolsonaro tem 15% ou 25% do eleitorado. N�o chega a 50% mais um dos votos. Marina Silva tamb�m n�o passa dos 20%”, pontuou.

Para os eleitores e aliados de Bolsonaro, a vit�ria � certa se Lula n�o for preso. Torcem, inclusive, para que o l�der do PT s� seja condenado ap�s o pleito de 2018. A situa��o para o militar s� se complicaria se outros entrarem na disputa. Para o deputado Capit�o Augusto (PR-SP), que circula de farda pela C�mara, a sociedade n�o ter� d�vidas em tirar o ex-presidente da Rep�blica. “Com Lula, Bolsonaro vai para o segundo turno e ganha. Ele leva vantagem pela rejei��o do oponente”, disse. O Delegado �der Mauro (PSB-PA) lembrou que Bolsonaro j� encostou em Lula na corrida presidencial. “Lula s� tem os 30% da esquerda. Pelo Brasil, perdeu for�a. Ao contr�rio do Jair que est� crescendo. A �nica coisa que precisamos � que todos os outros partidos venham a se unir a n�s. Bolsonaro ainda n�o tem coliga��es”, disse.

DEM quer Rodrigo Maia como cabe�a de chapa

Mesmo se o presidente da C�mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) vier a ser presidente este ano, por ser o sucessor legal caso Michel Temer seja retirado da Presid�ncia da Rep�blica, ainda h� d�vidas se ele teria capacidade de ser reeleito. “Ele estando no poder sempre tem o m�nimo de chance, porque est� com a caneta na m�o, mas na atual conjuntura acho bem dif�cil que se reeleja. Ele n�o � conhecido por ter muitos votos”, disse Vidal. Maia � um deputado com recall eleitoral baixo, teve 53 mil votos em 2014. Al�m disso, a tend�ncia � que, se ele chegar � Presid�ncia da Rep�blica, ser� com o apoio do PSDB e dos outros partidos da base governista atual. Sem esse mesmo pano de fundo, ele n�o teria chances em elei��es diretas.

A melhor op��o do DEM, nesse caso, seria apoiar o candidato tucano. O presidente do DEM, senador Jos� Agripino Maia (RN), diz que ainda � cedo para o partido indicar um nome. “Primeiro temos que regularizar a situa��o dentro do pa�s, a elei��o de 2018 vem depois. Existem mil vari�veis que precisam ser levadas em conta. Imaginar que o DEM tem um candidato agora � prematuro”, afirmou. Segundo ele, � “muito prov�vel que o DEM, como j� vem fazendo, se articule com v�rios partidos de centro como forma de encontrar uma candidatura”. Essas conversas j� est�o em andamento com PSB e PR, por exemplo. “Seguramente, o DEM haver� de montar articula��es com partidos de centro para tentar encontrar um nome de consenso”, declarou Agripino.

J� o l�der do DEM na C�mara, deputado Efraim Filho (PB), defende publicamente que o partido lance seu pr�prio candidato. “N�o temos voca��o para ser reboque de ningu�m”, declarou. Al�m de Rodrigo Maia, ele cita entre as op��es o senador Ronaldo Caiado (GO) e o atual prefeito de Salvador, ACM Neto. “Acredito que Lula n�o participar� das elei��es. Mas o DEM, em qualquer cen�rio, tem potencial. O partido se viabilizou como alternativa. A maior chance � que ele tenha mesmo um candidato, diferentemente dos anos anteriores. Queremos ser cabe�a de chapa. Foi uma constru��o feita durante todos esses anos e agora estamos preparados para isso”, disse Efraim, que define Maia como uma “boa op��o, coerente e que cresceu muito no comando da C�mara”. (AA e VB)